10.2.09

Atendendo ao chamado do mar

Dez horas da noite, eu ali parada com os pés na água, sentindo o movimento do mar. Assim teve início meu processo de cicatrização.

O mar tinha tanto a me dizer! Não era à toa que ele vinha me chamando a dias seguidos, desde antes da confirmação da minha perda.

Olhando o movimento contínuo fiquei como hipnotizada. Por alguns instantes, me perdi naquela imensidão escura e senti que flutuava em suas ondulações com o salpicar da espuma branca em meu rosto.

Esse breve contato e esse breve desligamento do mundo me ajudaram a lembrar do que sou e de qual o meu propósito neste mundo. Ajudaram a me lembrar de que sou vida e estou sempre em movimento e de que meu propósito aqui é ser o melhor que eu puder, fazer o melhor que eu puder para ser o mais feliz que puder. Tudo isso, contando apenas com aquilo que o mundo colocar no meu caminho e mais com a minha determinação, força, coragem e tudo o que sou.

Enfrentar sempre os problemas e nunca fugir deles. Seguir sempre em frente, mesmo que seja difícil e doloroso.

A vida nem sempre está boa. Há dores e tristezas e obstáculos, mas a grandiosidade de ser vivo deve ser o motor para continuar colocando um pé adiante do outro e buscar cada vez mais coisas boas.

Ainda estou muito triste e me sinto também solitária, mas isso também vai passar.

A única coisa que permanecerá sempre será o calor da minha estrelinha, o amor pelo meu bebê Ariel.

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